Famílias que buscaram a médium Máira Rocha para receber mensagens de parentes mortos a acusam de utilizar informações públicas da internet para produzir cartas fraudulentas. As denúncias resultaram em investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
Relatos indicam que partes das mensagens apresentadas como psicografadas coincidiam com publicações em redes sociais, obituários e reportagens. Uma mãe relatou que a médium descreveu seu filho, morto aos 18 anos em um acidente de carro, como jogador de futebol, erro que também constava em uma reportagem antiga sobre o jovem.
Outra vítima afirmou ter reconhecido em uma mensagem uma expressão característica do marido, morto por leucemia, mas posteriormente encontrou a mesma frase em uma publicação antiga dele nas redes sociais. As famílias questionam a exigência de dados como CPF, nome completo e comprovantes de viagem cerca de 60 dias antes das sessões.
A apuração indica que Máira Rocha possui registros policiais em pelo menos cinco estados, com acusações de estelionato, calúnia, difamação e ameaça, embora não haja condenações confirmadas. O MPDFT instaurou uma notícia de fato e a PCDF mantém investigação sobre fatos ocorridos em 2019.
A médium é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras, onde coordena a entrega de cartas consoladoras e realiza trabalhos sociais financiados por doações. Ela não aceitou gravar entrevista sobre as acusações, mas afirmou em transmissões públicas que poderá recorrer à Justiça contra quem a acuse.


