A Finlândia decidiu, nesta segunda-feira (7), interromper o financiamento à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) ao fim de 2026. A medida ocorre após investigações sobre a infiltração do grupo Hamas na organização e o suposto envolvimento de integrantes do quadro da agência nos ataques de 7 de outubro de 2023.
O Ministério das Relações Exteriores finlandês confirmou que o acordo vigente, avaliado em US$ 23,23 milhões, será encerrado no final deste ano. O governo ainda não definiu quais organizações internacionais receberão a ajuda humanitária destinada à região para substituir a UNRWA.
A decisão segue a linha de Estados Unidos e Suécia. Os americanos interromperam os repasses em fevereiro de 2025, enquanto a Suécia encerrou o financiamento em dezembro de 2024, redirecionando os recursos para outras estruturas das Nações Unidas em Gaza.
Investigações do Escritório do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) envolvem cerca de 1,5 mil integrantes da UNRWA suspeitos de atividades terroristas. Até o momento, 108 funcionários foram encaminhados ao Departamento de Estado norte-americano com recomendação de suspensão de atuação em órgãos financiados pelos EUA.
A organização UN Watch afirma, em relatório, que 12% dos funcionários da agência em Gaza seriam membros de grupos terroristas. O dado teria sido obtido por meio do cruzamento de listas de empregados com registros do Hamas apreendidos pelas Forças de Defesa de Israel.
Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a agência agradece os recursos previstos no acordo plurianual de 2023 a 2026 e pretende manter o diálogo com o governo finlandês. Guterres continua a incentivar os países-membros a apoiar a UNRWA.
Hillel Neuer, diretor-executivo da UN Watch, declarou que a interrupção dos fundos é necessária para o processo de desradicalização em Gaza. Segundo Neuer, a assistência humanitária pode ser realizada por organizações alternativas e independentes, como o Programa Mundial de Alimentos.


