O compositor e guitarrista Roberto Menescal revisitou mais de seis décadas da música brasileira durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (7). Aos 88 anos, o músico discutiu a criação da bossa nova, parcerias com artistas de diferentes gerações e a influência da inteligência artificial na indústria musical.
Menescal relembrou o surgimento da bossa nova como uma necessidade de afastar a música das letras pesadas do samba-canção. Ele citou as reuniões no apartamento de Nara Leão, em Copacabana, e a influência de Johnny Alf sobre a geração que transformou o cenário musical brasileiro.
O músico contou que apostou na gravação de um disco de Xuxa antes da fama da apresentadora, apesar da resistência da gravadora. Para viabilizar a produção, Menescal utilizou gravações existentes de Caetano Veloso e Chico Buarque, acrescentando a voz da artista.
Sobre a nova geração, Menescal elogiou Luísa Sonza, com quem lançou o álbum ‘Bossa Sempre Nova’ este ano, em parceria com Toquinho. O compositor afirmou que a cantora demonstrou facilidade em adaptar-se à linguagem do gênero e negou ser um purista da bossa nova.
Questionado sobre a inteligência artificial, Menescal afirmou que a tecnologia mudará o mundo, provocando alterações profundas em direitos autorais e remuneração de artistas. Ele disse não ter medo da ferramenta e relatou ter ouvido canções produzidas por IA com qualidade surpreendente.
O artista revelou a gravação de um álbum com Theo Bial, filho do jornalista Pedro Bial, com previsão de lançamento entre o fim de 2026 e o início de 2027. O projeto poderá se chamar ‘Saudade do Futuro’.
Menescal também informou que Andy Summers, guitarrista do The Police, entrou em contato para desenvolver um novo trabalho em janeiro. A relação entre os dois começou após uma versão de música da banda britânica gravada por Cris Delanno.


