O Ministério da Fazenda espera que o Produto Interno Bruto (PIB) apresente nova desaceleração no terceiro trimestre de 2026, com a atividade econômica tendendo a fechar o ano com crescimento próximo a 2%. A projeção oficial atual do órgão é de expansão de 2,3% para o período.
O subsecretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão, afirmou que a perda de ritmo reflete o aperto monetário, impactando setores dependentes de juros, como a indústria, o comércio e o consumo das famílias. No trimestre anterior, o indicador de consumo caiu 0,4% devido à combinação de Selic elevada, inflação de alimentos e menor renda disponível.
Leão descartou a possibilidade de a economia entrar em recessão ou de ocorrer uma crise de crédito. Segundo o economista, a atividade passa por um processo de acomodação após anos de expansão próxima a 3%. Ele explicou que o cenário mudou desde o início do ano, com a expectativa de que o Banco Central mantenha a Selic em patamar mais alto do que os 12% previstos anteriormente pelo mercado.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) projeta uma recuperação da atividade no quarto trimestre. O subsecretário citou a influência da indústria extrativa e a sazonalidade favorável do mercado de trabalho no fim do ano como fatores que devem segurar a renda e evitar uma queda abrupta da demanda.
Sobre o crédito, a SPE informou que as concessões de financiamento continuam crescendo, embora em ritmo menor. A inadimplência permanece baixa nos segmentos de melhor qualidade, com a piora concentrada em micro e pequenas empresas e em partes do agronegócio. Leão disse que as famílias sofrem com o custo da dívida e não por explosão do endividamento.
O governo avalia que medidas como o programa Desenrola não visavam impulso direto na economia. O técnico disse que a renegociação de dívidas pode ter reduzido a renda disponível no curtíssimo prazo, pois os cidadãos passaram a destinar recursos para o pagamento das parcelas. A SPE deve revisar para cima as projeções de inflação para o próximo ano devido a choques como o El Niño.


