A consolidação do El Niño e a carência de 1.233 auditores fiscais federais agropecuários colocam sob pressão o status sanitário do Brasil. O déficit no quadro funcional do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), somado a restrições orçamentárias, dificulta a fiscalização de lavouras e a prevenção de pragas em portos e fronteiras.
O Brasil possui atualmente 2.461 auditores fiscais em atividade. A falta de profissionais é agravada por infraestrutura defasada e sistemas que necessitam de modernização. Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, comprometem o acesso às áreas de produção, prejudicando a vigilância no momento em que a produtividade de grãos está sob risco.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra atual produza 180,5 milhões de toneladas de soja e 143 milhões de toneladas de milho. Alterações no regime de chuvas podem reduzir a oferta desses insumos, elevando custos para as cadeias de aves, suínos, bovinos, leite e ovos, com impactos diretos ao consumidor final.
No campo financeiro, o Mapa teve R$ 474 milhões contingenciados em 2025, afetando os recursos destinados à defesa agropecuária. A fiscalização abrange desde a vigilância de lavouras até a conferência de inocuidade e rastreabilidade de rações destinadas à alimentação animal.
A fragilidade do controle sanitário ameaça a credibilidade do país no exterior. Nos primeiros sete meses de 2026, as exportações agropecuárias somaram US$ 103,4 bilhões para mais de 190 destinos. A manutenção desses mercados depende da capacidade do governo em evitar crises sanitárias que podem levar ao fechamento de canais de comércio conquistados ao longo de décadas.


