O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pretende marcar nesta semana uma reunião reservada com todos os ex-presidentes da Corte. O objetivo é ouvir os magistrados sobre a crise institucional provocada por mais de 50 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes.
Além de Fachin, participarão do encontro os ministros Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Luiz Fux. Em declaração no dia 4 de setembro, Fachin afirmou que a resposta à crise será firme, proporcional e rigorosa.
Apesar do discurso, o presidente do Supremo tem adiado a decisão sobre investigações. O relatório do ministro André Mendonça, que poderia definir a abertura de inquérito contra Moraes, ainda não foi levado ao plenário para votação dos demais magistrados.
A apuração indica que Fachin posterga a análise de dois casos envolvendo Moraes e Mendonça para dar tempo a uma articulação entre o Palácio do Planalto, políticos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma ala do STF. O grupo tenta viabilizar um acordo para preservar o relator do inquérito das fake news até depois do pleito eleitoral.
No primeiro caso, Mendonça retirou o sigilo de investigações sobre o Banco Master no dia 1º de setembro, expondo as mensagens de Vorcaro. Fachin estabeleceu prazo até 11 de setembro para manifestações de Mendonça, Moraes, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o que desloca a análise para depois de 14 de setembro.
Já no segundo processo, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news em 3 de setembro. Fachin retirou o colega do inquérito no dia 4 e solicitou que Paulo Gonet se manifeste sobre a pertinência do pedido. Após isso, Mendonça terá cinco dias úteis para responder, com previsão de ida ao plenário somente após 22 de setembro.


