O ministro André Mendonça votou, nesta terça-feira (8), para manter a decisão que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O julgamento ocorre em sessão virtual da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e segue aberta até as 23h59 deste dia.
Mendonça afirmou que foi alvo de monitoramento sistemático e ilegal realizado pela área de inteligência da PF por mais de 30 dias. O magistrado apresentou seis relatórios produzidos entre 3 e 31 de agosto que analisavam sua atuação e a relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão de afastar Andrei Rodrigues foi tomada após pedido do partido Novo. Segundo o ministro, documentos de inteligência revelam a realização de coleta dirigida de informações, o que ele classificou como monitoramento ilícito de um membro da Suprema Corte.
O texto cita que o diretor-geral da PF teria enviado o material a outro ministro, Alexandre de Moraes, no dia 1º de setembro. Mendonça associa essa comunicação à sua própria inclusão no Inquérito das Fake News.
Um dos relatórios levantou a hipótese de que Messias teria evitado recorrer de alguma decisão para preservar a relação política com o relator. Embora o documento classificasse a confiança nessa inferência como baixa, ele autorizava a continuidade da coleta de informações.
O episódio ocorre em meio a um conflito no STF. Alexandre Moraes pediu a investigação de André Mendonça por indícios de crimes na condução de inquéritos, incluindo o escândalo do Master. A medida foi tomada dois dias após Mendonça retirar o sigilo de mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco, enviadas a Moraes.
O presidente do STF, Edson Fachin, abriu prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestem esclarecimentos sobre as mensagens de Vorcaro.


