O ministro André Mendonça determinou, nesta terça-feira (8), o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão ocorre em meio a uma crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e inclui a ordem para que a Corregedoria da PF abra investigações contra Rodrigues.
A medida foi submetida à análise dos demais ministros da Corte. A Segunda Turma chegou a formar maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O presidente do STF, Edson Fachin, abriu um procedimento separado para apurar o caso após retirar a controvérsia de um inquérito relatado por Alexandre de Moraes.
A crise teve início após Moraes utilizar um relatório atribuído à PF para solicitar a investigação de André Mendonça dentro do inquérito das fake news. A apuração contra o diretor-geral agora terá frentes penal e administrativa, com foco nos desdobramentos de investigações sobre o Banco Master.
Andrei Rodrigues, natural de Pelotas (RS), é formado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas e possui 20 anos de carreira na Polícia Federal. Antes de assumir a direção-geral em 2 de janeiro de 2023, chefiou delegacias em Manaus, Porto Alegre e no Aeroporto Internacional de Brasília, além de ter atuado como oficial de ligação em Madri, na Espanha.
O delegado também trabalhou na segurança presidencial, coordenando a proteção de Dilma Rousseff na campanha de 2010 e de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2022, permanecendo na função durante a transição governamental. Foi anunciado para o cargo atual em 22 de dezembro de 2022 pelo então futuro ministro da Justiça, Flávio Dino.
Durante sua gestão, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master, a Operação Sem Desconto, sobre benefícios do INSS, e a Operação Overclean, que investiga desvios de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro.


