O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afastou nesta terça-feira (8) o diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A decisão ocorre após a revelação de que a corporação produziu ao menos seis relatórios de inteligência monitorando a vida do magistrado.
Mendonça afirmou em despacho que foi submetido a um “monitoramento sistemático” e classificou a prática como ilícita, comparando a situação ao livro 1984, de George Orwell. O ministro definiu o episódio como uma “verdadeira arapongagem institucional” e determinou que a Corregedoria da PF apure quem ordenou a produção dos documentos e se existem outros relatórios semelhantes.
Para evitar novas escutas, o magistrado mudou seus hábitos de segurança. Ele passou a exigir que visitantes coloquem celulares em caixas blindadas, que bloqueiam o sinal dos aparelhos, antes de conversas reservadas. Mendonça também implementou um sistema de som com música erudita ao fundo em seu ambiente de trabalho para dificultar interceptações.
Os relatórios foram produzidos por uma unidade de inteligência da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF e entregues à direção-geral entre 3 e 31 de agosto de 2026. O material, classificado como “documento de trabalho” sem valor probatório, não possui timbre, assinatura ou identificação dos analistas responsáveis.
O conteúdo analisa decisões de Mendonça nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, e Compliance Zero, sobre irregularidades no Banco Master. Os documentos foram enviados formalmente a Alexandre de Moraes, ministro do STF, às 18h45 de 1º de setembro, por Andrei Rodrigues.
No dia do envio, Mendonça havia retirado o sigilo de peças da investigação do Banco Master que citavam a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes. Dois dias depois, em 3 de setembro, Moraes utilizou as informações dos relatórios para solicitar que Mendonça fosse investigado no inquérito das Fake News.


