O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do chefe de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão fundamenta-se em indícios de monitoramento sistemático e ilegal contra o próprio ministro e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A medida foi detalhada em um documento de 33 páginas. A decisão repercutiu em agências internacionais, que descreveram o episódio como uma escalada da crise na Corte brasileira. O caso ocorre a menos de um mês das eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro.
Segundo a agência EFE, o imbróglio envolve mensagens entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. A PF sustenta que Vorcaro teria consultado Moraes por escrito sobre a possibilidade de deixar o país dias antes de sua prisão e pedido proteção ao magistrado.
A apuração indica que Moraes também revisou um contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, pediu a investigação de André Mendonça com base em um relatório de inteligência da PF.
Este mesmo relatório serviu de base para que Mendonça suspendesse a direção da Polícia Federal. A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão nesta terça-feira (8), conforme informou a agência Reuters.
A Associated Press afirmou que o afastamento de Rodrigues aprofunda a instabilidade no tribunal e envolve o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na turbulência durante a campanha eleitoral.


