O Instituto Al-Hurriya, escola de elite em Damasco onde estudou o ex-presidente Bashar al-Assad, decidiu separar meninos e meninas nas salas de aula e pátios. A medida atinge alunos com mais de 11 anos, excluindo apenas o ensino fundamental, e ocorre após a ascensão de autoridades islamistas ao governo da Síria.
A direção da instituição afirmou que a decisão visa o melhor interesse dos estudantes. A escola justificou a segregação alegando a ocorrência de bullying, assédio contra meninas e casos de violência extrema com uso de facas motivados por ciúmes. Segundo a administração, jovens desperdiçavam tempo em relacionamentos amorosos e houve queda no número de matrículas femininas após pais transferirem filhas para outras escolas.
A ministra de Assuntos Sociais e Trabalho, Hind Kabawat, ex-aluna da instituição, classificou a medida como errada. Kabawat, que é a única mulher e cristã no gabinete de transição, defendeu a manutenção de turmas mistas até o ensino médio. O assessor do ministro do Ensino Superior, Muhannad Malek, também ex-aluno, afirmou que escolas mistas fazem parte da memória coletiva de Damasco.
O Instituto Al-Hurriya foi fundado em 1925 pela Missão Francesa Secular e nacionalizado na década de 1960 pelo Partido Baath. A escola formou parte da elite síria, incluindo Assad, deposto em 2024 por grupos islamistas. A mudança nos costumes contrasta com a prioridade anterior dada ao nacionalismo e ao secularismo.
Quatro organizações feministas e de sociedade civil relataram, no mês passado, que decisões das novas autoridades restringiram liberdades pessoais e impuseram tutelas sociais, especialmente sobre as mulheres. Em março, a prefeitura de Damasco proibiu a venda de álcool na maior parte da cidade, permitindo a comercialização de garrafas fechadas apenas em bairros de maioria cristã.
No ano passado, um hospital da capital chegou a separar homens e mulheres em ônibus de funcionários, mas revogou a medida após reações negativas.


