O governo da Islândia convocou o embaixador dos Estados Unidos nesta terça-feira (8) para manifestar indignação contra uma publicação de Donald Trump na rede Truth Social. O presidente americano postou um mapa que sobrepõe a bandeira dos EUA aos territórios da Islândia, Groenlândia, Canadá, México e países do Caribe.
A primeira-ministra Kristrun Frostadottir classificou a imagem como um insulto aos islandeses, canadenses e groenlandeses. Segundo a governante, não há nada de engraçado ou normal em zombar da soberania de outros Estados. A publicação, feita na segunda-feira, não continha texto escrito.
A ministra das Relações Exteriores, Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir, convocou o embaixador Billy Long para transmitir a mensagem de que a imagem era totalmente inadequada. Gunnarsdottir afirmou que a publicação ultrapassou um limite e descartou a possibilidade de a postagem ser tratada como uma piada.
O episódio ocorre pouco mais de uma semana após a Islândia votar contra a abertura de negociações para a adesão à União Europeia. A decisão dividiu a opinião pública entre os 400 mil habitantes do país, que debatem a melhor forma de proteger a estabilidade nacional diante da disputa de influência de superpotências no Ártico.
Eirikur Bergmann, professor de política da Universidade de Bifrost, afirmou que a retórica de Trump representa uma escalada significativa. O docente disse que os islandeses costumavam ver os EUA como defensores, mas que agora o protetor se tornou um intimidador.
A Islândia é o único membro da Otan que não possui forças militares próprias e depende da aliança para sua proteção. Anteriormente, houve desconforto com relatos de que o embaixador Billy Long teria brincado que o país poderia se tornar o 52º estado americano, motivo pelo qual ele pediu desculpas.
A embaixada americana em Reykjavik se recusou a comentar a publicação ou a reação do governo islandês. A Casa Branca não respondeu aos pedidos de comentário.


