Uma investigação da organização Mercy For Animals (MFA) documentou a trituração de aproximadamente 35 mil pintinhos machos recém-nascidos em um único dia em um incubatório de grande porte na Região Sul do país. Os animais, com menos de 24 horas de vida, eram colocados em máquinas com lâminas rotativas de alta velocidade.
A prática ocorre porque os machos não põem ovos e não apresentam características genéticas adequadas para a produção de carne, sendo separados das fêmeas logo após o nascimento. Luiza Schneider, vice-presidente de Investigações da MFA, afirmou que os pintinhos têm sistema nervoso formado e capacidade de sentir medo ou dor física. O material indica que os maceradores mecânicos nem sempre provocam a morte imediata, prolongando o sofrimento.
A apuração também registrou o descarte de fêmeas com anomalias, deformidades, sangramentos, nascimento prematuro ou que excediam a demanda dos criadores. Como alternativa, a MFA sugere a sexagem in ovo, que identifica o sexo do embrião durante a incubação. A tecnologia já é usada na União Europeia, onde Alemanha, França, Áustria e Itália proibiram a trituração.
No Brasil, a primeira máquina de sexagem in ovo foi instalada em julho de 2025 em Nova Granada, interior de São Paulo, no incubatório da Hy-Line do Brasil. O custo adicional da tecnologia varia entre R$ 5 e R$ 10 por ave, um acréscimo de 80% a 150% sobre o preço do método convencional, que custa cerca de R$ 7 por animal.
Vanessa Garbini, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da MFA, disse que a adoção do método na Suíça e Noruega prova que os custos não inviabilizam a indústria. Empresas como Planalto Ovos, Grupo Mantiqueira e Korin manifestaram compromisso em suspender a trituração, caso haja tecnologia economicamente viável.
Não existe norma federal no Brasil que proíba o descarte de pintinhos, mas o tema tramita no Congresso Nacional por meio dos Projetos de Lei 783/2024 e 3034/2026. O PL 783/2024, da deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP), recebeu parecer contrário na Comissão de Agricultura por questões econômicas e deve seguir para o plenário.
Pesquisa da Innovate Animal Ag com 1.553 compradores de ovos no Brasil revelou que 73% se sentem desconfortáveis com o abate de pintinhos. O estudo apontou que 79% dos entrevistados têm interesse em comprar ovos produzidos com sexagem in ovo e 76% aceitariam pagar mais pelo produto, com disposição média de R$ 3,87 por dúzia. A MFA informou que pretende encaminhar denúncia ao Ministério Público.


