O desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências atingiu os níveis mais baixos registrados desde 2000, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo, divulgado nesta terça-feira (8), analisou 760 mil jovens em 91 países.
A pontuação máxima em leitura, que era de 501 em 2012, caiu para 466 no ano passado. Os dados indicam que o nível atual de leitura dos estudantes equivale ao esperado para alunos um ano mais novos. A queda foi mais acentuada entre jovens de origens financeiras mais abastadas.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirmou que o aumento do tempo em telas e a redução da leitura por prazer caminham juntos com resultados mais fracos. Cormann disse que os alunos apresentam uma leitura mais apressada, percorrendo textos rapidamente e cometendo erros nas respostas.
As habilidades em ciências e matemática também recuaram. A pontuação em ciências caiu de 506, pico de 2009, para 486. Em matemática, o índice baixou de 502 para 469 no mesmo intervalo. O Leste Asiático, com destaque para Japão, Coreia, Singapura, Taiwan e cidades chinesas, obteve os melhores resultados, seguido pelo Reino Unido e Estônia.
A distração digital foi associada a notas menores em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados. Mais de 25% dos alunos relataram que os dispositivos distraem colegas durante as aulas. Nos países-membros da OCDE, a média de uso de aparelhos para lazer é de 3,4 horas por dia útil, somadas a três horas para fins de aprendizagem.
Cormann explicou que o uso de tecnologia para aprender beneficia os alunos apenas até certo limite, com queda de rendimento após cinco horas diárias de uso. O relatório aponta que quase metade dos jovens utiliza chatbots de inteligência artificial regularmente. Aqueles que usam a ferramenta para redigir redações ou resumir textos obtêm notas em ciências cerca de 20 pontos menores, o que corresponde a um ano de aprendizado.


