Um estudo brasileiro conduzido pela farmacêutica Libbs e pelo Hospital Israelita Albert Einstein identificou que mulheres apresentam uma resposta mais intensa ao uso de uma pílula única para hipertensão. Os resultados foram apresentados no congresso europeu de cardiologia, realizado em Munique entre 28 e 31 de agosto.
A pesquisa, chamada OPTION TREAT, foi realizada em 19 centros de saúde no Brasil. O medicamento testado combina três substâncias — candesartana, clortalidona e anlodipino — para tratar casos de hipertensão que não respondem adequadamente aos remédios convencionais.
Em análise que comparou gêneros com mais de duas mil pessoas durante 12 semanas, as mulheres registraram queda média de 23,9 mmHg na pressão sistólica. Entre os homens, a redução foi de 18,7 mmHg, o que representa uma diferença de quase 30% entre os grupos. A cardiologista Patrícia Guimarães, do Einstein, afirmou que fatores biológicos e de estilo de vida podem explicar a variação.
Outra análise, envolvendo 673 participantes, verificou que a cor da pele não influenciou a eficácia do fármaco. Brancos, negros e pardos tiveram reduções semelhantes, com média de 5,48 mmHg acima do tratamento comparador. Segundo a apuração, o dado reforça a eficácia da combinação na população brasileira.
Um terceiro grupo de 666 pacientes foi avaliado quanto ao risco cardiovascular. Pessoas com risco baixo ou intermediário responderam melhor ao remédio do que aquelas com risco alto, embora a medicação tenha superado o tratamento tradicional em todas as categorias.
O cardiologista Vagner Madrini Junior, do Einstein, disse que os dados ajudam a entender a reação de diferentes perfis de pacientes. Vivienne Carduz Castilho, gerente de Ciências Médicas da Libbs, informou que o objetivo é proporcionar um cuidado cada vez mais personalizado para quem convive com a doença.


