O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (8), de cerimônia em Brasília em celebração ao Dia da Amazônia. O evento, que reuniu 15 ministros e o vice-presidente Geraldo Alckmin, ocorreu simultaneamente a uma crise política provocada pelo afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula defendeu que o desenvolvimento econômico pode ser conciliado com a preservação da floresta e afirmou que a pauta ambiental agora possui importância econômica. O presidente defendeu o avanço da bioeconomia, argumentando que a floresta preservada precisa ser mais rentável do que a derrubada. Sobre a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), o presidente disse que o governo encontrou uma solução para a pavimentação com regras de proteção ambiental.
Durante a cerimônia, o governo assinou atos de restauração ambiental e gestão de florestas públicas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou investimento inicial de R$ 70,2 milhões para ativar seis núcleos de sociobioeconomia, projeto que deve impactar 28 mil pessoas e 96 mil famílias. Outro contrato prevê R$ 240 milhões para a gestão sustentável de 162,7 mil hectares de florestas públicas, visando a produção de 2,54 milhões de metros cúbicos de madeira em 30 anos.
No Pará, foram destinados R$ 180 milhões para a restauração de mais de 10 mil hectares na região de Altamira. Lula também assinou a criação de quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas: Tupana-Igapuaçu I, Tupana-Igapuaçu II, Canaã e Mirari. O Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, foi ampliado em 7,1 mil hectares. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, informou que o Brasil acrescentou mais de 2,5 milhões de hectares ao território protegido desde 2023.
Capobianco informou que o desmatamento no entorno da BR-319 caiu 73,31% entre 2022 e 2025, e outros 43% de agosto de 2025 a julho de 2026. Paralelamente aos anúncios, o Palácio do Planalto discutia a decisão do STF sobre a Polícia Federal. Lula convocou reunião de emergência com a cúpula do governo, e a Advocacia Geral da União (AGU) prepara recurso para contestar o afastamento de Andrei Rodrigues.


