O programa Desenrola Brasil reduziu a inadimplência entre os beneficiários no curto prazo, mas o efeito perdeu força cerca de 18 meses após o início das renegociações. A conclusão consta em estudo realizado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead).
A análise utilizou dados administrativos do Banco Central coletados de janeiro de 2023 a agosto de 2025. O grupo estudado consistiu em devedores de baixa renda, com rendimentos de até dois salários mínimos, que participaram da primeira fase da iniciativa criada em 2023.
Os pesquisadores compararam esses beneficiários com pessoas de perfil semelhante, mas com renda entre dois e três salários mínimos, que não tinham acesso ao benefício. Os resultados indicam que a inadimplência recuou cerca de 14% nas dívidas com mais de 15 dias de atraso e 17% nos débitos com mais de 90 dias.
O maior impacto ocorreu nas dívidas de cartão de crédito. Para débitos com até 15 dias de atraso, o efeito foi duas vezes superior ao registrado em empréstimos pessoais. Contudo, os níveis de inadimplência voltaram a se aproximar dos patamares anteriores ao programa após um ano e meio.
A eficácia variou conforme a ocupação dos participantes. A redução da inadimplência foi mais expressiva entre trabalhadores com emprego formal. Já para aposentados e trabalhadores informais, a pesquisa não identificou melhora estatisticamente significativa.
Segundo o estudo, as evidências sugerem que o Desenrola proporcionou um alívio temporário de liquidez, sem melhorar permanentemente a capacidade de pagamento ou a resiliência financeira dos tomadores de crédito.


