O delegado William Marcel Murad assumiu, nesta terça-feira (8), a direção-geral em exercício da Polícia Federal (PF). A mudança ocorreu após a notificação dos afastamentos preventivos de Andrei Rodrigues, ex-diretor-geral, e de Leandro Almada da Costa, ex-diretor de inteligência, por decisão liminar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A transição foi formalizada após a entrega das intimações judiciais no início da tarde. Com a posse de Murad, a Corregedoria da PF deve instaurar inquéritos penais e procedimentos administrativo-disciplinares para apurar a produção de relatórios de inteligência sob suspeita. A decisão judicial também suspendeu a elaboração de relatórios destinados a analisar atos de magistrados, advogados públicos ou membros da polícia judiciária.
O afastamento dos dirigentes aconteceu após a divulgação de seis relatórios de inteligência produzidos em agosto. Os documentos indicavam que o advogado-geral da União, Jorge Messias, e um ministro relator do STF teriam sido alvo de monitoramento sistemático e coleta de informações por mais de 30 dias. Mendonça definiu a prática como arapongagem institucional e afirmou que os textos são apócrifos e sem validade jurídica.
A Segunda Turma virtual do STF chegou a registrar maioria de 3 votos a 0 pela manutenção dos afastamentos, com a concordância de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, mas a liminar continua em vigor.
O governo federal prepara uma contestação no STF. O argumento é que a decisão monocrática de afastar o diretor-geral violaria a competência privativa da Presidência da República para nomear o comando da corporação.
Murad é delegado de carreira desde 2002 e graduado em direito pela Universidade de São Paulo (USP). Foi adido da PF no Reino Unido entre 2021 e 2024 e comandou a Diretoria de Tecnologia da Informação e Inovação. O delegado também coordenou a inteligência de segurança nos Jogos Olímpicos de 2016 e na Copa do Mundo de 2014.


