O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF), e de Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial. A decisão ocorre após Mendonça questionar a legitimidade de um relatório de inteligência apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes.
A Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter a medida, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Mendonça ordenou que a Corregedoria da PF abra procedimento investigatório sobre as circunstâncias de produção dos documentos em questão, incluindo a conduta de Rodrigues e Almada.
A medida acontece uma semana depois que Alexandre de Moraes utilizou um relatório da PF para pedir a investigação de Mendonça no inquérito das fake news. O presidente do STF, Edson Fachin, interveio na sexta-feira (4), retirando o pedido do inquérito e cobrando explicações. Mendonça classificou o documento como apócrifo, sem timbre ou símbolos que garantam sua confiabilidade ou autoria.
Andrei Rodrigues assumiu a direção-geral da PF em 10 de janeiro de 2023, indicado por Flávio Dino. Com 20 anos de carreira na corporação, Rodrigues foi chefe de segurança de Lula e Dilma Rousseff, além de coordenar a segurança da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas do Rio em 2016. Esteve à frente de operações como a Compliance Zero e a Overclean.
Leandro Almada ocupava a diretoria de Inteligência Policial desde dezembro de 2024. Formado em direito em 1995, atuou como delegado da Polícia Civil de Minas Gerais e comandou superintendências da PF no Amazonas, Bahia e Rio de Janeiro. Almada participou das investigações sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes e foi diretor de Operações do Ministério da Justiça em 2020, sob gestão de André Mendonça.


