A redução da população e a queda na demanda por ritos tradicionais levaram cerca de 17 mil templos budistas no Japão a ficarem sem sacerdotes residentes em tempo integral. Para evitar o fechamento, algumas instituições investem em tecnologia e novos serviços, enquanto propriedades centenárias são colocadas à venda para serem transformadas em residências.
Na Península de Chita, no centro do país, um templo de 370 anos com 350 metros quadrados foi colocado à venda por 482 milhões de ienes (R$ 15,8 milhões). O valor inclui a desmontagem por artesãos especializados e o transporte da estrutura para qualquer local do Japão, onde a construção pode ser restaurada como uma casa de dois ou três quartos.
O cenário reflete a situação de aproximadamente 77 mil templos no território japonês. Em áreas rurais, a saída de jovens para universidades e empregos em grandes centros urbanos esvazia as congregações. A falta de interesse dos filhos dos sacerdotes em assumir cargos devido à baixa rentabilidade financeira agrava a crise no interior.
Tomomi Iwayama, abade do templo Ganshu-ji, em Odawara, relatou que a unidade ficou 70 anos sem liderança antes de sua chegada. Para estabilizar as finanças, Iwayama implementou um “cemitério inteligente”, que utiliza um sistema robótico para retirar as cinzas de parentes do columbário após a leitura de um cartão pelas famílias.
A manutenção de túmulos pode custar até 100 mil ienes (R$ 3,2 mil) anuais, valor que se torna proibitivo para muitas famílias. Jake Adelstein, sacerdote no Templo Zenshoin, em Tóquio, afirma que a dificuldade financeira e a distância geográfica impedem que herdeiros mantenham os jazigos ancestrais.
Para sobreviver, as instituições têm diversificado a oferta. Aulas de culinária vegetariana, sessões de meditação zen e atividades de bem-estar substituem a dependência exclusiva de funerais e aniversários. Segundo Iwayama, a busca por serenidade diante da vida tecnológica mantém a demanda pelo budismo, embora o modelo de negócio tradicional esteja em declínio.


