Uma adolescente de 13 anos está desaparecida desde a madrugada de domingo (6), em Anápolis, na região central de Goiás. A jovem teria conhecido um homem de 28 anos por meio da plataforma de comunicação Discord, que prometeu levá-la para viver no Canadá, segundo relatos de amigas da família.
O pai da menina, Fábio Soares, encontrou uma carta endereçada à filha mais velha na manhã de domingo, quando percebeu que a jovem não estava em casa. No texto, a adolescente afirma que iria embora para longe com uma pessoa que ama e escreveu: “Talvez eu volte, talvez não”. A família registrou boletim de ocorrência e a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), investiga o caso sob sigilo.
Fábio Soares afirmou que não sabia que a filha utilizava a plataforma nem com quem ela conversava. O pai relatou acreditar que a menina tenha sido vítima de aliciamento por um adulto. Ele explicou que permitia o uso do celular principalmente para que a filha mantivesse contato com a mãe, que reside na Bahia e divide a guarda da adolescente.
Equipes de inteligência das polícias Civil e Militar buscam imagens de câmeras de segurança para reconstruir os passos da jovem. Uma câmera instalada em um bar próximo à residência foi analisada, mas não registrou o momento em que a adolescente deixou o imóvel, o que teria ocorrido após as 2h daquele domingo.
Em nota, o Discord declarou ter compromisso com a segurança dos usuários e utilizar sistemas para prevenir o aliciamento na plataforma. A empresa citou a existência de uma Central da Família com ferramentas de monitoramento para responsáveis e reiterou que seus termos de serviço estabelecem a idade mínima de 13 anos para o uso do serviço.
A plataforma havia sido sancionada pelo governo federal no mês passado após a morte de outra adolescente de 13 anos em um servidor privado no dia 22 de junho. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão de transmissões ao vivo e recursos de compartilhamento de vídeo após concluir que o ambiente era usado para violência, assédio e indução ao suicídio de menores.


