O retorno das crianças às escolas aumenta o risco de infestações por piolhos, fenômeno que coincide com o Mês Nacional de Prevenção contra Piolhos nos Estados Unidos, em setembro. Segundo a dermatologista April Armstrong, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, os casos surgem com mais frequência no final do verão e início do outono devido ao contato próximo entre os alunos.
Estimativas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) indicam que até 12 milhões de crianças entre três e 11 anos são afetadas anualmente nos EUA. Embora os insetos não transmitam doenças, eles causam coceira, irritação no couro cabeludo e podem prejudicar o sono. A dermatologista pediátrica Carla Torres Zegarra, do Children’s Hospital Colorado, afirma que a condição gera estresse e ansiedade devido ao estigma social, embora não tenha relação com a higiene do paciente.
Os piolhos são insetos minúsculos e sem asas que se alimentam de sangue humano, fixando ovos, as lêndeas, na base dos fios de cabelo. A transmissão ocorre majoritariamente pelo contato direto entre cabeças, já que o parasita não pula nem voa. A transmissão indireta por meio de pentes, chapéus e fronhas é considerada menos provável, pois o inseto sobrevive menos de um dia fora do couro cabeludo.
O sintoma mais comum é a coceira, especialmente atrás das orelhas e na nuca. A diagnose correta é feita através da observação de piolhos vivos sob luz forte. A Academia Americana de Pediatria (AAP) alerta para erros comuns de diagnóstico, onde caspas, gotas de laquê ou sujeira são confundidos com lêndeas. A organização recomenda a consulta médica para confirmação antes de iniciar qualquer tratamento.
Para o combate, a FDA aprova loções e xampus com inseticidas como permetrina ou piretrina, combinados ao uso de pentes finos. A AAP desaconselha o uso de óleos essenciais ou produtos botânicos em crianças por falta de regulação de segurança. Remédios caseiros, como maionese ou azeite, não possuem recomendação oficial. A remoção manual de parasitas é indicada para quem deseja evitar produtos químicos.
Não existe método de prevenção totalmente confiável, mas a recomendação principal é limitar o contato direto entre cabelos quando houver casos circulantes. A AAP sugere a verificação regular das crianças e a orientação para que não compartilhem itens pessoais. A lavagem de roupas e roupas de cama usadas dois dias antes do tratamento em alta temperatura é recomendada, sendo desnecessário o uso de fumigação ou sprays pesticidas no ambiente.


