Cerca de 25% dos diretores e executivos C-level no Brasil deixaram de delegar tarefas no último mês por acreditarem que a inteligência artificial (IA) permite realizar o trabalho mais rápido sozinhos. O dado consta em pesquisa da plataforma de educação corporativa Afferolab, em parceria com a Tera, que ouviu 4,3 mil profissionais sobre comportamento organizacional e automação.
O levantamento indica que a tecnologia tem tornado executivos mais ágeis na produção de textos, análises e outras atividades que anteriormente eram distribuídas entre as equipes. Entre os profissionais consultados, 87,5% usam IA para geração de textos, 67,1% para análise de dados e 63,4% para apoio em decisões estratégicas.
A tendência de centralização também atinge a média gerência. Segundo a apuração, 69% desses profissionais utilizam a ferramenta em tarefas que poderiam ser delegadas. Desse grupo, 49,6% afirmam fazer isso ocasionalmente e 19,4% com frequência. Apenas 6,7% dos gestores intermediários estariam no estágio de delegar tarefas enquanto capacitam a equipe para usar a IA.
Outro estudo, o Executive Compensation & Talent Trends 2026 — América Latina, aponta que a adoção de IA generativa no trabalho chega a 75% no Brasil. Na região, 83% dos líderes seniores afirmam que a ferramenta aumentou a produtividade individual, enquanto 79% dizem que a qualidade do trabalho melhorou.
Apesar do ganho individual, a produtividade organizacional apresenta números menores. Pesquisa da Stanford Graduate School of Business com 6 mil executivos globais mostra que as organizações projetam ganhos médios de apenas 1,4% em produtividade e 0,8% em produção. O uso médio de IA entre os líderes pesquisados é de 1,5 hora por semana.
Amir Goldberg, professor da Stanford Graduate School of Business, afirma que há um risco em acelerar a adoção da tecnologia sem definir onde ela gera valor. Para o professor, o gargalo atual não é a ferramenta, mas a decisão sobre a prioridade e a forma de uso.
O relatório de tendências da América Latina recomenda que as empresas priorizem líderes capazes de escalar competências entre equipes, em vez de apenas administrar a transformação técnica na própria área.


