Uma nova tendência de inteligência artificial que transforma fotografias atuais em versões inspiradas na estética dos anos 1980 ganhou espaço nas redes sociais nesta quarta-feira (9). A ferramenta, utilizada por celebridades como Ivete Sangalo e Sabrina Sato, altera cabelos, maquiagem e cenários, mantendo os traços reconhecíveis dos usuários.
O formato favorece a participação ao transformar o espectador em parte da tendência. Segundo Kenneth Corrêa, professor da FGV e especialista em dados, o custo de imitação desapareceu, pois o que antes exigia cabeleireiro e fotógrafo agora demanda apenas uma selfie. Léo Soares, especialista em IA, afirma que a combinação de nostalgia e identidade mexe com a vaidade e a curiosidade.
A dermatologista Angélica Pimenta alerta que a tecnologia cria peles uniformes e volumes de cabelo que são construções digitais, sem limitação real. A especialista recomenda separar a experiência virtual de expectativas sobre o corpo, para que a versão algorítmica não se torne uma cobrança física.
No campo da cirurgia plástica, Yuri Moresco observa que pacientes podem levar versões modificadas de seus próprios rostos como referência para procedimentos. O médico explica que a IA pode criar proporções impossíveis de reproduzir anatomicamente e que a imagem artificial não deve ser tratada como promessa de resultado cirúrgico.
A segurança de dados também é um ponto de atenção. Marcos Leite, diretor da SPS Group, orienta a verificação das políticas de privacidade antes do envio de fotos. O especialista em segurança digital ressalta que fotografias do rosto são dados biométricos ligados à identidade e não podem ser substituídas como senhas caso haja vazamento ou uso indevido para treinamento de IA.


