Absorvedores de oxigênio para alimentos perdem a capacidade de conservação assim que a embalagem original é aberta, independentemente de os sachês terem sido colocados nos potes de armazenamento. A reação química de oxidação começa no contato com o ar, consumindo a eficácia do produto antes mesmo do uso efetivo.
O dispositivo é fabricado com pó de ferro, ativado por cloreto de sódio e neutralizado por carvão ativado. Enquanto permanecem em embalagens lacradas a vácuo, o ferro fica inerte. Ao abrir o pacote, inicia-se um processo similar à formação de ferrugem, que é a base da função do produto, mas que desgasta o material precocemente.
Fontes técnicas do setor indicam que a janela de eficácia total varia de 15 a 30 minutos, podendo chegar a duas horas antes de ocorrer perda significativa. O desgaste pode ser identificado pelo toque: sachês ativos possuem pó solto e macio, enquanto os gastos tornam-se duros e quebradiços. Uma vez oxidado, o material não pode ser regenerado.
A perda de qualidade ocorre frequentemente porque o produto é vendido em pacotes de 50 ou 100 unidades para reduzir custos. Como consumidores raramente utilizam todo o conteúdo de uma vez, os sachês remanescentes ficam expostos ao oxigênio do ambiente, perdendo a força gradualmente sem aviso prévio.
Estudos da revista Food Packaging and Shelf Life mostram que manter o oxigênio abaixo de 0,1% evita a proliferação de fungos aeróbicos e a oxidação de gorduras em nozes e panificados. Essa tecnologia pode estender a vida útil desses produtos de três a cinco vezes em relação a embalagens comuns.
Para evitar o desperdício, a solução técnica é o fracionamento em sub-pacotes vedados a vácuo. A Oxyoff, empresa de Porto Alegre (RS) fundada por Juliano Flores Ramos, utiliza esse modelo de venda em marketplaces. A companhia comercializou mais de 140 mil unidades apenas este ano.
O interesse global por esses produtos deve crescer com uma taxa anual composta superior a 5,5% entre 2024 e 2030. Segundo a MarketsandMarkets e a Grand View Research, a tendência é impulsionada pela busca de consumidores por rótulos limpos e a eliminação de conservantes químicos artificiais.


