A Justiça autorizou que uma atleta de 11 anos retorne ao Campeonato Pernambucano de Futsal Sub-11 integrando a equipe masculina do CT Barão. A jogadora havia sido impedida de atuar na segunda rodada da competição por determinação da Federação Pernambucana de Futsal, embora participasse normalmente dos treinos e da rodada anterior.
O impedimento ocorreu pouco antes do início do confronto, quando a comissão técnica foi informada pela mesária sobre a proibição. Segundo o técnico Barão Xavier, a relação do jogo e as carteiras haviam sido entregues corretamente. Diante do bloqueio, o pai da atleta buscou o Judiciário para garantir a participação da filha a partir da terceira rodada.
A Federação Pernambucana de Futsal justificou a medida alegando que o torneio integra o processo classificatório para a Taça Brasil do ano seguinte e deve respeitar os critérios da competição nacional. Já a Confederação Brasileira de Futsal informou que não participa da organização do campeonato estadual e que a decisão sobre a presença de atletas femininas cabe exclusivamente à federação local.
O caso expôs a carência de competições femininas no estado, já que os torneios oficiais para mulheres em Pernambuco começam apenas na categoria Sub-15. Até a intervenção judicial, o sistema de inscrições do campeonato não permitia o registro de atletas do sexo feminino em equipes masculinas.
Após a decisão judicial, o sistema de inscrições foi alterado. A plataforma agora aceita o cadastro de meninas de até 13 anos em equipes masculinas, permitindo a participação em torneios oficiais de categorias onde ainda não existem campeonatos femininos.
Maria Gabriela Guimarães, advogada da atleta, afirmou que a mudança é uma conquista, mas classificou como frustrante a necessidade de acionar a Justiça para garantir um direito que deveria estar claro. Caso o CT Barão vença o torneio, a jogadora poderá representar Pernambuco na Taça Brasil de Clubes.


