Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro, a Al Qaeda opera com um núcleo central enfraquecido, mas mantém influência significativa por meio de braços regionais na África e na Ásia. A organização alterou sua estratégia, priorizando a construção de estruturas locais em países com instituições estatais frágeis.
A mudança de postura reflete o impacto das políticas de combate ao terrorismo implementadas pelos Estados Unidos após 2001. Segundo o especialista em terrorismo Lars Berger, a intervenção militar no Afeganistão e a cooperação entre inteligências enfraqueceram o grupo, tornando os ataques de 2001 um fracasso estratégico para a organização.
Atualmente, a rede é forte no Sahel, por meio do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), na Somália, com o Al-Shabaab, e no Iêmen, via Al Qaeda na Península Arábica (AQAP). No Níger, o JNIM disputa combatentes e recursos com o Estado Islâmico – Província do Sahel (ISSP), tendo atacado o aeroporto internacional de Niamey em junho de 2026.
O islamólogo Rüdiger Lohlker explica que a continuidade desses grupos está ligada a uma economia da violência. Sequestros, saques e contrabando formam mercados ilícitos que permitem atrair e manter seguidores onde o poder estatal é inexistente ou insuficiente.
A estrutura foi reorganizada após a morte de Osama bin Laden em maio de 2011. A militância passou a buscar áreas de estabelecimento permanente, trocando ações espetaculares ordenadas pelo alto comando por iniciativas menores vindas da base, processo descrito como localização.
A Al Qaeda enfrenta concorrência do Estado Islâmico (EI), que atrai militantes mais jovens com ataques de maior impacto midiático. Behnam Heidenreuter-Said, da Academia da Polícia de Hamburgo, afirma que a marca Al Qaeda perde relevância e enfrenta dificuldades para substituir sua geração envelhecida de líderes.
A apuração indica que há uma lacuna de conhecimento sobre as atividades atuais do grupo. Desde os ataques do Hamas em outubro de 2023, a Al Qaeda permanece ausente dos grandes conflitos regionais, dominados por Hamas, Hezbollah, houthis e Irã.


