O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta quarta-feira (9), de um ato de campanha na Arena Carhoo, em Teresina, no Piauí. Durante o evento, que reuniu 50 mil pessoas segundo o governador Rafael Fonteles (PT), o chefe do Executivo criticou a oposição e a possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
Lula afirmou que o presidente americano Donald Trump deve se ocupar de seu próprio país e que brasileiros que utilizam a bandeira dos Estados Unidos em comícios são “vira-latas” e “traidores da pátria”. O presidente declarou que a eleição definirá se haverá democracia e respeito ao povo brasileiro, classificando os adversários como mentirosos.
Apesar da tensão institucional, o presidente evitou mencionar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ou o caso do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O tema foi abordado apenas por Regina Sousa, ex-governadora do estado, que criticou tentativas de ganhar a eleição “no tapetão” e mencionou o afastamento de diretores da PF.
Em pautas sociais, Lula defendeu os direitos das mulheres e a solução definitiva para os problemas da educação em um eventual quarto mandato. A primeira-dama Janja da Silva também discursou, focando no eleitorado feminino — que representa 52% dos eleitores segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — e criticando a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia de covid-19.
O evento serviu para endossar a chapa do PT ao governo, composta por Rafael Fonteles e Washington Bandeira, além dos candidatos ao Senado Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). A indicação de Júlio César, que utiliza o apelido “Julim de Lula”, sinaliza a ausência de um pacto de não agressão com o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Dados de pesquisa da AtlasIntel/MeioNorte, divulgados em 3 de setembro, mostram Lula com 68,3% das intenções de voto no estado contra 24,4% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenário de segundo turno. Para o governo, Fonteles lidera com 62,4% das intenções de voto, seguido por Joel Rodrigues, com 20,9%.


