As secretarias municipais de Assistência Social e de Habitação do Rio realizaram, nesta quarta-feira (9), a retirada de moradores de rua que ocupavam o Palacete Imperial, no Centro. O prédio histórico, de propriedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está interditado pela Defesa Civil há 18 anos por risco de desabamento.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que acompanhou a ação da Prefeitura, conduzida com medidas humanizadas para garantir a segurança e os direitos das pessoas presentes no imóvel. Não foram divulgados os números exatos de quantos moradores foram retirados. Uma apuração anterior indicava a presença de cerca de 40 pessoas no local.
O Palacete voltou à gestão da UFRJ após o distrato do Termo de Cessão de Uso entre as duas instituições. O Iphan havia assumido a responsabilidade pelo prédio em 2012 para instalar o Centro Nacional de Arqueologia (CNA), projeto que não foi executado e acabou consolidado na sede do instituto, em Brasília.
Em 2022, o Governo do Estado anunciou a revitalização do imóvel com investimento de R$ 25 milhões, em parceria com a UFRJ, utilizando saldo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O convênio foi rompido três anos depois e os recursos permaneceram sob gestão do governo estadual, sem que as obras fossem iniciadas.
Uma nova proposta, aprovada em outubro de 2025, prevê a conversão do prédio em um Observatório de História, Memória e Arte do Rio de Janeiro. O projeto, financiado via Lei Rouanet, orça as obras em R$ 17 milhões e prevê a instalação de laboratórios e núcleos de pesquisa, como o Núcleo de Governança e Cultura em Cidades Inteligentes (NUGEC-CI). O plano está na fase de captação de doações.
Construído em 1862, na esquina da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, o casarão é patrimônio carioca. O imóvel já foi sede da Escola de Comunicação e do Instituto de Eletrotécnica da UFRJ, além de ter sido palco do golpe político-militar que resultou na República, em 1899.


