O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que fundos administrados por sua gestora foram utilizados para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas.
O acordo, assinado no dia 2 de setembro e encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalha a participação da Reag e de fundos de investimento nas operações. Mansur identificou pessoas que teriam atuado como laranjas de Vorcaro e forneceu informações sobre a movimentação de recursos enviados ao exterior. O empresário se comprometeu a pagar uma multa de R$ 40 milhões.
A colaboração é a primeira firmada pela PGR no âmbito da operação Compliance Zero. Investigadores avaliam que as informações sobre offshores fora do Brasil podem permitir a devolução de valores ao país sem a necessidade de acordos com autoridades estrangeiras, processo geralmente exigido para a recuperação de ativos.
As investigações indicam que Vorcaro utilizou fundos da Reag para retirar recursos do Banco Master e direcioná-los ao próprio patrimônio ou ao pagamento de propinas. O Banco Central identificou operações irregulares entre a instituição financeira e fundos da Reag Trust no período de julho de 2023 a julho de 2024.
Mansur fundou a Reag em 2012 e presidiu o conselho de administração até outubro de 2025. A gestora chegou a administrar cerca de R$ 341,5 bilhões. O empresário também foi alvo da operação Carbono Oculto, que apura fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
A defesa de Vorcaro informou que não teve acesso aos anexos da colaboração e não poderia se manifestar. A defesa de Mansur não comentou o caso.


