Os candidatos ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), protagonizaram uma discussão com xingamentos e gestos agressivos durante debate realizado nesta quarta-feira (9), em Fortaleza. O embate ocorreu durante a troca de acusações sobre aliados e investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF).
Ciro Gomes afirmou que os deputados federais Yury do Paredão (MDB-CE) e Júnior Mano (PSB-CE) são citados em investigação sobre o uso de recursos públicos. Segundo o candidato, os parlamentares teriam recebido R$ 40 milhões sem licitação por meio de entidades que ele classificou como fraudulentas. O inquérito está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Elmano de Freitas negou as acusações e chamou as falas de Ciro de mentira. Em contrapartida, o governador citou um aliado do adversário que teria sido flagrado com R$ 2 milhões. Ciro respondeu que a pessoa em questão foi absolvida posteriormente, embora tenha admitido que a informação era baseada no que ele sabia.
A tensão aumentou quando Ciro chamou Elmano de “mentiroso e descarado”. Os dois candidatos passaram a apontar o dedo um para o outro, o que exigiu a intervenção do mediador para que retornassem aos seus respectivos púlpitos. Elmano também associou Ciro a políticos bolsonaristas, acusando-o de tentar esconder a aliança com o ex-presidente.
Ciro Gomes declarou ter aceitado uma “aliança contraditória” para disputar o governo do Estado, alegando que a medida é necessária para resolver problemas do Ceará. Ele informou que a Justiça Eleitoral já concedeu direito de resposta sobre a associação mencionada por Elmano.
Além do conflito pessoal, os candidatos divergiram sobre dados de hospitais, habitação, feminicídios e mercado de trabalho. O debate abordou temas como saúde, educação, moradia, políticas para mulheres, emprego e meio ambiente, com críticas mútuas sobre as gestões de cada candidato.
A apuração indica que Júnior Mano foi indiciado pela PF por suspeitas de desvios de emendas e crimes eleitorais no Ceará. Yury do Paredão foi citado na apuração, mas não chegou a ser indiciado.


