O sistema humanitário internacional passa por uma contração que deixou 64 milhões de pessoas sem assistência, segundo o relatório El estado del sistema humanitario 2026. O documento, publicado nesta quinta-feira (10) pela rede ALNAP, indica que a redução de recursos ocorre no momento em que as crises globais se multiplicam e atingem mais populações.
A rede ALNAP, organização internacional voltada à investigação e melhoria do desempenho e da prestação de contas na ação humanitária, detalhou as consequências práticas do racionamento. Em Sudán, a escassez de alimentos levou famílias a consumirem sementes que deveriam ser reservadas para a próxima colheita.
Em Gaza, a falta de assistência básica impacta a nutrição infantil. Uma mãe relatou ao organismo que não consegue mais oferecer frutas à filha devido à crise de abastecimento.
Uganda apresenta indicadores sociais alarmantes ligados aos cortes nas rações alimentares para refugiados. A apuração da rede associou a redução da ajuda ao aumento de casos de abusos sexuais e ao abandono escolar.
O relatório aponta ainda que a falta de recursos básicos em Uganda impulsionou o crescimento de casamentos infantis como estratégia de sobrevivência das famílias afetadas pela fome.


