A Justiça francesa abriu, nesta quinta-feira (10), uma investigação para apurar se a ex-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e seu sucessor, Emmanuel Grégoire, foram omissos diante de denúncias de agressões sexuais em escolas da capital. O inquérito foi instaurado após queixa de cerca de 15 famílias ligadas à associação MeTooEcole.
A promotora de Paris, Laure Beccuau, informou à rádio France Inter que as investigações foram abertas após o agrupamento de denúncias de diferentes origens. As famílias, com filhos em diversas instituições, querem que a Justiça determine o que os governantes sabiam sobre as agressões cometidas por monitores de atividades extracurriculares e se houve medidas para interrompê-las.
A denúncia do coletivo menciona a colocação deliberada em perigo da vida de terceiros, a omissão de socorro e a falta de denúncia de crimes contra crianças, incluindo vítimas com idades entre dois e quatro anos. O escândalo tornou-se público no início de 2025.
Desde o começo de 2026, a Prefeitura de Paris suspendeu 132 monitores de atividades extracurriculares. Desse grupo, 52 foram afastados por suspeitas de violência sexual ou sexista. Em 2025, o número de suspensões por esse motivo foi de 20 pessoas.
Ao assumir a prefeitura em março, Emmanuel Grégoire, que foi braço direito de Hidalgo entre 2018 e 2024, admitiu erros. O atual prefeito lançou um plano de ação de 20 milhões de euros (US$ 23,2 milhões) para prevenir agressões sexuais em creches e escolas da cidade.
Em entrevista na quarta-feira (9), Anne Hidalgo afirmou estar ao lado das famílias das vítimas e disse compartilhar a dor dos envolvidos, mas não pediu desculpas. Segundo a Comissão Independente sobre Incesto e Agressões Sexuais contra Crianças (Ciivise), uma criança é vítima de violência sexual a cada três minutos na França.


