O grupo rebelde Houthi, apoiado pelo Irã, capturou nesta quinta-feira (10) a cidade portuária de Mokha, no Iêmen. A vitória estratégica garante ao grupo o controle da faixa litorânea do sudoeste do país, em área próxima ao Estreito de Bab el-Mandeb, passagem fundamental para o comércio marítimo entre a Ásia e a Europa.
A rápida ofensiva terrestre expulsou as forças governistas, apoiadas pela Arábia Saudita, da cidade e do porto. Segundo autoridades políticas e militares iemenitas, a operação começou há uma semana e deixou mais de 500 mortos. A intensidade dos combates é a maior desde o rompimento do cessar-fogo em julho de 2022.
Mokha fica a menos de 80 quilômetros de Bab el-Mandeb. Os Houthis prometeram fechar o estreito ao tráfego de navios sauditas em retaliação a um bombardeio contra um aeroporto do país. A milícia já havia atacado embarcações do setor de petróleo saudita no Mar Vermelho, mas a conquista de Mokha aproxima o grupo do controle total da passagem.
O tenente-general Tareq Saleh, comandante aliado ao governo que controlava a cidade, informou em redes sociais que ordenou a reorganização de suas tropas e a criação de um centro de comando alternativo em local seguro. Adam Baron, pesquisador da organização New America, afirmou que este é um dos pontos de inflexão mais significativos do conflito nos últimos anos.
A instabilidade afeta o mercado global de petróleo, com o barril Brent ultrapassando US$ 100 nesta semana. A Arábia Saudita redirecionou grande parte de suas exportações para o Mar Vermelho após o Irã bloquear o Estreito de Ormuz. O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) avalia que o porto de Hodeida, já sob controle rebelde, pode ser o objetivo final do governo iemenita.
O Ministério das Relações Exteriores dos Houthis declarou em comunicado que o grupo não representará ameaça e está preparado para integrar a segurança regional na proteção da navegação. No entanto, o grupo pediu que a comunidade internacional obrigue Riad a interromper os ataques ao Iêmen.
O Ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, informou nesta quarta-feira (9) que ataques contra a Arábia Saudita podem ativar o acordo de defesa coletiva da Aliança de Defesa de Meca, que reúne sauditas, Paquistão e Turquia.


