As taxas do Tesouro Direto registram alta pelo segundo pregão consecutivo nesta quinta-feira (10), com destaque para os títulos prefixados. O movimento reflete a escalada de tensões no Supremo Tribunal Federal, nova operação da Polícia Federal e a subida do petróleo para o patamar de US$ 105 por barril.
O Tesouro Prefixado 2032 teve a maior variação do dia, subindo de 14,21% para 14,29%. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 14,26% para 14,33%, enquanto o Prefixado 2029 avançou de 13,87% para 13,93%. No acumulado de dois dias, o título com vencimento em 2032 já soma alta de 25 pontos-base.
Títulos indexados à inflação também subiram. O IPCA+ 2040 avançou de 7,30% para 7,37%. Já o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 subiu para 7,55% e o de 2045 atingiu 7,44%. A alta ocorreu mesmo com dados domésticos que sugerem novo corte na taxa Selic.
No cenário político, a Polícia Federal deflagrou operação para apurar desvios de emendas parlamentares que teriam financiado filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal Mário Frias, do PL, é um dos alvos. O episódio ocorre em meio a conflitos no Supremo Tribunal Federal envolvendo os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino sobre a permanência do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
No exterior, o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos subiu 5,4% em agosto, superando a expectativa de 5,3%. O Banco Central Europeu elevou os juros em 0,25 ponto percentual, fixando-os em 2,50% ao ano. O petróleo Brent subiu devido a tensões entre Estados Unidos e Irã e ataques a navios.
André Valério, economista sênior do Inter, afirmou que o arrefecimento da Pesquisa Mensal de Serviços de julho reflete a política monetária contracionista. O economista disse que há consenso para um novo corte de 25 pontos-base na reunião de setembro, com projeção de Selic em 13,25% em dezembro.


