A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a operação Make Up para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A apuração inclui a compra de um veículo da montadora BYD, realizada em janeiro de 2025 pela empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp Entertainment, com pagamento integral em dinheiro vivo.
A transação envolveu um modelo BYD Song Plus 2025, adquirido na concessionária CMD BD Comércio de Automóveis Elétricos, em São Paulo. O valor pago foi de R$ 102.190, quitado em espécie, dado que foi reportado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e citado em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As investigações sobre a produção do filme surgiram como desdobramento da operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master e envolve seu fundador, Daniel Vorcaro. Há suspeitas de que o deputado Mário Frias tenha utilizado emendas ao Orçamento de forma irregular para bancar a obra.
A apuração também cita áudios de aparelaves celulares de Vorcaro, apreendidos anteriormente. Em um dos registros, o senador Flávio Bolsonaro (PL) solicita dinheiro ao ex-banqueiro para financiar a produção do longa. O caso ganhou relevância no cenário eleitoral, já que o senador é o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa por um quarto mandato.
Atualmente, o STF conduz dois inquéritos paralelos sobre o mesmo tema: um sob relatoria do ministro André Mendonça, focado nas fraudes do Banco Master, e outro conduzido por Flávio Dino, que investiga as irregularidades nas emendas orçamentárias. A defesa de Mário Frias protocolou petição ao presidente do STF, Edson Fachin, em 28 de agosto, argumentando que o juiz natural do caso deveria ser Mendonça.
O gabinete de Mário Frias não respondeu aos questionamentos sobre a operação. A produtora Karina Gama também não foi localizada para comentar as informações.


