O temor de uma nova crise hídrica em São Paulo voltou ao centro do debate entre os candidatos ao governo do estado. Com os reservatórios da região metropolitana abaixo de 50% da capacidade e o sistema Cantareira na faixa de 33%, o clima tornou-se pauta prioritária ao lado de segurança e saúde nas campanhas eleitorais.
O candidato da oposição, Fernando Haddad (PT), utiliza a situação dos mananciais para criticar a gestão do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em debate, Haddad associou a queda nos níveis dos reservatórios à privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), defendendo a necessidade de maior rigor do Estado na fiscalização e proteção dos mananciais para garantir a segurança hídrica.
Tarcísio de Freitas rebateu as críticas citando obras de resiliência climática. O governador afirmou que investe mais de R$ 1 bilhão em barragens em Amparo e Pedreira para evitar a falta de água em Campinas. Em seu plano de governo, Tarcísio prevê que o novo contrato da Sabesp injetará R$ 9 bilhões para reduzir vazamentos e somará R$ 30 bilhões para a revitalização do rio Tietê.
Além da água, incêndios rurais e tempestades pautam as propostas. Em 2024, satélites registraram mais de 600 mil hectares queimados no estado. Para a temporada de estiagem de 2026, a administração estadual informou ter alocado R$ 400 milhões para a Operação São Paulo Sem Fogo.
Dados do Instituto Água e Saneamento (IAS) indicam que, após a privatização da Sabesp, a taxa de perda de água por ligação voltou a subir. O índice, que havia caído 19%, subiu 15% em um único ano, atingindo 302 litros por ligação por dia em 2023. O pesquisador Eduardo Caetano, do IAS, afirmou que o aumento da demanda em 2025 esvaziou os reservatórios, mesmo com chuvas pouco abaixo da média.
Suely Araújo, consultora do Observatório do Clima, classificou a segurança hídrica da metrópole como tema de primeira ordem por afetar mais de 20 milhões de pessoas. Já o Centro Brasil no Clima (CBC) apontou que a prevenção de incêndios em 2026 é preocupante, pois o estado exige planos de combate apenas dentro de unidades de conservação, ignorando outras áreas rurais com risco de seca.


