Rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, intensificaram ataques que ameaçam o tráfego marítimo no Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica entre o Iêmen e o Djibuti. A ofensiva ocorre em meio ao recrudescimento de combates no Iêmen, com centenas de mortos em confrontos entre os insurgentes e as forças da Arábia Saudita.
O grupo tomou a cidade de Mocha, localizada a 70 quilômetros ao norte do estreito, nesta quarta-feira (9). Os rebeldes já controlam o porto de Hodeida e impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita desde julho. Embora neguem a intenção de fechar a passagem ou cobrar taxas de trânsito, o Instituto para o Estudo da Guerra informou que os houthis tentam elevar os custos econômicos e políticos para forçar Riade a encerrar operações militares.
A região é vital para o setor energético. Em 2023, o estreito respondia por 12% do fluxo global de petróleo, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Com o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, a Arábia Saudita redirecionou suas exportações para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Dados da Kpler mostram que as exportações por Yanbu chegaram a uma média de 3,8 milhões de barris por dia entre março e julho, volume cinco vezes superior ao período pré-guerra. No entanto, o número caiu para 1,5 milhão de barris por dia em agosto, após a retomada dos ataques a navios sauditas.
O tráfego pelo Canal de Suez, conectado ao estreito, não se recuperou dos ataques iniciados em 2024. Entre janeiro e agosto de 2026, o volume de navios representou pouco mais da metade do nível anterior à crise, conforme dados do PortWatch do FMI analisados por agências internacionais.
O conflito atual escalou após ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, seguidos de represálias de Teerã. O cessar-fogo de 2022 foi rompido após o governo apoiado por Riade reagir à permissão dada pelos houthis para que uma aeronave iraniana pousasse em território iemenita em julho.
Para Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College London, o maior risco para o setor não é necessariamente o fechamento físico do Estreito de Bab el-Mandeb, mas a persistência da incerteza no tráfego.


