A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (10), a Operação Make Up para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e possíveis irregularidades em repasses de emendas do deputado federal Mário Frias (PL-SP). A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
As investigações focam no Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do longa-metragem. O instituto recebeu R$ 2 milhões em emendas destinadas por Frias. Entre os beneficiários dos recursos está Rudyge Alex Scatolini Boldrini, professor de jiu-jítsu e idealizador do projeto “Lutando pela Vida”, em Pirassununga.
Boldrini atuou como prestador de serviço e doador da campanha de Mário Frias em 2022. Segundo dados da Justiça Eleitoral, ele foi contratado pela campanha em 18 de agosto de 2022, recebendo R$ 7.500, e posteriormente doou R$ 4.000 ao parlamentar em duas parcelas.
A Controladoria Geral da União (CGU) identificou indícios de irregularidades no projeto. Uma nota técnica do órgão aponta que Boldrini abriu um MEI poucos dias antes de ser contratado, com suspeita de assinatura retroativa no contrato. O microempreendedor recebeu R$ 13.700,01, embora o contrato total previsse R$ 105.033,41 por serviços de coordenação técnica ao longo de 23 meses.
O histórico de Boldrini com o ICB inclui uma procuração outorgada em junho de 2023 e a eleição como 1º Conselheiro Fiscal em janeiro de 2024, cargo do qual renunciou em novembro do mesmo ano. A CGU informou que o professor figura em diversos processos judiciais cíveis relacionados a disputas políticas e propaganda eleitoral em Pirassununga.
O gabinete do deputado Mário Frias, Rudyge Boldrini e Karina Gama não responderam aos pedidos de manifestação até a publicação da reportagem.


