O presidente Donald Trump prometeu pagar US$ 5 mil (R$ 25,5 mil) a cada adulto norte-americano caso os republicanos mantenham o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de novembro. A proposta levanta questionamentos sobre a legalidade do repasse, o custo total da operação e a origem dos recursos.
O custo para distribuir o valor a todas as 276,8 milhões de pessoas com mais de 18 anos nos Estados Unidos seria de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,14 trilhões). Se o pagamento for limitado apenas a cidadãos norte-americanos, a cifra cai para US$ 1,27 trilhão. Qualquer desembolso desse tipo exigiria autorização do Congresso, pois a Constituição impede que o presidente utilize fundos do Tesouro sem verba aprovada por lei.
Economistas alertam que a medida pode impulsionar a inflação, que atualmente está em 3,4%, acima da meta de 2% do Banco Central. O cenário é agravado por pressões de preços causadas pelo choque energético da guerra com o Irã. Segundo pesquisa do Federal Reserve Bank de St. Louis, estímulos fiscais durante a pandemia elevaram a inflação no país em 2,6 pontos percentuais.
A arrecadação com tarifas aduaneiras não seria suficiente para financiar a promessa no curto prazo. O governo recolheu US$ 195 bilhões (R$ 996 bilhões) no ano fiscal de 2025, valor que levaria sete anos para cobrir o montante de US$ 1,4 trilhão. Além disso, a Suprema Corte anulou tarifas emblemáticas de Trump em fevereiro, resultando em receita aduaneira líquida negativa entre maio e julho.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou a proposta e chamou Trump de “homem mais corrupto que já ocupou o Salão Oval”. Newsom afirmou que o presidente tenta comprar votos com dinheiro financiado pelos contribuintes. O deputado Jamie Raskin, de Maryland, classificou a ação como um “suborno político” e descreveu a gestão como imprudente e disfuncional.


