A Polícia Federal (PF) cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) contra pessoas e empresas ligadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação Make Up investiga possíveis irregularidades na destinação de recursos de emendas parlamentares para a produção do longa.
Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, proprietária da produtora GoUp Entertainment. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de irregularidades em R$ 2 milhões provenientes de emenda de Frias para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à produtora de Gama.
O ministro Flávio Dino retirou o sigilo da decisão que autorizou a ação no final da manhã desta quinta-feira. Ao todo, a operação mira 53 alvos, sendo 29 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas. Mario Frias, que foi secretário de Cultura no governo Bolsonaro e atua como produtor executivo do filme, negou irregularidades ao Supremo Tribunal Federal (STF) em maio, afirmando que a verba teve finalidade social.
A lista de investigados inclui Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete do deputado, e Ademar de Sena Sampaio, sócio de Karina Gama na Upcon Serviços Especializados. Também são alvos André Feldman, da Complexsys Soluções Integradas, e Débora Gomes Feldman, da Fastfuture Tecnologias Emergentes. A PF apura se a Editora Dinâmica, de Dayvid Moreira Medeiros, serviu como intermediária para receber recursos do ICB.
A operação alcançou ainda empresários e advogados, como Fábio Lago Meirelles e Kayo Henrique Azevedo, presidente municipal do PL em Pirassununga. Outros alvos incluem Rudyge Alex Scatolini Boldrini, dono de empresa de ensino de arte, e Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Gama e presidente do Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento em Inovação Sustentável (IBEDIS).
A investigação busca esclarecer a destinação final das verbas e eventuais crimes na utilização de emendas. A Polícia Federal informou que a inclusão de nomes na lista de alvos não representa, por si só, comprovação de responsabilidade ou prática de irregularidades.


