O Ibovespa fechou em alta de 1,42% nesta quinta-feira (10), atingindo 188.268,59 pontos, com um volume de negócios de R$ 30 bilhões. O resultado reflete o chamado “trade eleitoral”, impulsionado por dados da pesquisa AtlasIntel que indicam empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno.
O índice acumula alta de 6,11% em setembro. A leitura do mercado financeiro é que uma disputa mais equilibrada abre espaço para mudanças de rumo político e fiscal no Brasil, levando investidores a apostar na valorização de ativos por meio de estruturas de opções, como calls e call spreads.
Operadores observam a movimentação tanto no ETF BOVA11 quanto no EWZ, maior fundo ligado a ações brasileiras negociado em Nova York, que subiu 7% no início do mês. Norberto Sangalli, broker de renda variável da Nippur, afirmou que as apostas eleitorais começaram a antecipar o resultado, migrando posições para outubro devido à percepção de reprecificação mais rápida dos ativos.
Roberto Moura, head de renda variável da Grand Capital Invest, informou que os negócios estão concentrados em vencimentos de novembro, com preços de exercício entre 200 mil e 210 mil pontos do Ibovespa. Segundo Moura, a estrutura visa ampliar ganhos caso a bolsa dispare em um cenário de mudança política.
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, apontou que a volatilidade implícita do EWZ subiu para 41,5%, enquanto a histórica de 200 dias está em 26,1%. Saadia explicou que esse descolamento indica que investidores pagam mais caro por proteção diante da incerteza, tratando o movimento como uma estratégia de hedge para um evento binário.
A valorização do Ibovespa também é reforçada pela atuação dos market makers. Ao venderem as opções de compra aos investidores, esses agentes precisam adquirir os ativos correspondentes para neutralizar a exposição à alta, o que gera novas compras e impulsiona os preços no mercado à vista.

