A revista The Economist afirmou, em texto publicado nesta quinta-feira (10), que o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se uma ameaça à democracia brasileira. Segundo a publicação, a Corte, que salvou o regime ao responsabilizar Jair Bolsonaro por planos de golpe em 2022, agora está no centro de um escândalo de corrupção em expansão.
O ministro Alexandre de Moraes é colocado pela revista como a figura central das críticas. O texto questiona a condução do inquérito das fake news e acusa o magistrado de utilizar a investigação para se proteger e blindar colegas de acusações de irregularidades, perseguindo inclusive fontes de jornalistas e fiscais da Receita Federal.
A publicação cita o Caso Master, envolvendo o Banco Master e seu administrador, Daniel Vorcaro. A Economist descreve a instituição como um esquema Ponzi com tráfico de influência, no qual Vorcaro teria homenageado membros do STF. Foram encontradas ligações entre Moraes e Vorcaro, como a contratação do escritório da família do ministro por um contrato caro e vago, além do uso de jato e helicóptero do ex-banqueiro.
A revista menciona ainda que Moraes teria aconselhado Vorcaro via WhatsApp, utilizando a função de mensagens temporárias. A frequência dessas trocas teria aumentado pouco antes da prisão do fraudador, que tentava fugir do país. O ministro nega qualquer irregularidade. O texto classifica como decepcionante a relação de um magistrado com o homem chamado de maior fraudador do Brasil.
Outro ponto abordado é a conduta do ministro André Mendonça. A publicação afirma que Mendonça tentou suspender o chefe da Polícia Federal em 8 de setembro para impedir a divulgação de relatórios de inteligência sobre juízes. A revista lembra que, em 2020, Mendonça supervisionou a criação de um dossiê sobre policiais e acadêmicos considerados inimigos de Bolsonaro.
A Economist conclui que a crise no STF fortalece aliados de Bolsonaro no Congresso, que prometem destituir ministros e conceder indulto ao ex-presidente. O texto alerta que erros processuais podem encerrar a investigação do Banco Master, beneficiando dezenas de políticos, incluindo Flávio Bolsonaro, que teria pedido milhões de dólares a Vorcaro.

