O Departamento de Segurança Interna (DHS) propôs, nesta sexta-feira (11), o fim da política que permite a trabalhadores estrangeiros, incluindo detentores do visto H-1B, permanecerem nos Estados Unidos por até 60 dias após a perda do emprego para encontrar um novo patrocinador.
A proposta, aprovada pela Casa Branca e publicada no Registro Federal, estabelece que trabalhadores estrangeiros seriam considerados imediatamente removíveis do país caso não trabalhem mais para o empregador vinculado ao seu status de visto. O governo argumenta que a medida restaura a relação direta entre o status do imigrante e a atividade que justificou sua admissão, além de reduzir a carga administrativa.
A regra atual, implementada no início de 2017, concedia o prazo de 60 dias para que profissionais buscassem nova vaga ou alterassem seu status migratório. Além do H-1B, a carência abrange os vistos E-1, E-2, L-1, O-1, TN, H-1B1 e E-3. Segundo cálculos do DHS, quase 4 mil trabalhadores utilizam esse período anualmente, sendo que mais de 99% deles são detentores do visto H-1B.
O DHS afirmou que a eliminação do prazo favoreceria a mão de obra americana, sob a premissa de que as empresas ofereceriam essas vagas a cidadãos dos Estados Unidos ou redistribuiriam o trabalho entre funcionários atuais. Entre 1º de outubro de 2017 e 20 de maio de 2026, o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) analisou 1,9 milhão de petições para avaliar a aplicação desse período de carência.
A mudança pode afetar dependentes de trabalhadores, como cônjuges e filhos. A organização FWD.us estima que existam 730 mil detentores de vistos H-1B nos Estados Unidos e 550 mil dependentes. O departamento declarou que o dano causado pelo prazo discricionário de 60 dias supera os benefícios para os imigrantes, empregadores e a comunidade.
O sistema H-1B, criado em 1990, possui um limite anual de 65 mil novos vistos, com 20 mil adicionais para quem possui diplomas avançados. A administração Trump tem implementado restrições à categoria, incluindo a substituição do sorteio tradicional por um sistema que favorece trabalhadores com maior qualificação e salários mais altos.

