Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) realizaram reuniões privadas nesta quinta-feira (10) para definir o rito da sessão de terça-feira (15), quando a Corte decidirá se abre inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes. O encontro ocorreu após o cancelamento de uma sessão plenária e envolveu o presidente da Corte, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O julgamento analisará se as mensagens trocadas e supostos encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro, revelados em relatório da Polícia Federal, justificam a abertura de investigação. Por se tratar de uma situação inédita, os ministros discutem se a sessão será pública ou fechada, se o PGR fará sustentação oral e se Moraes precisará de representação por advogado.
Paralelamente, o ministro André Mendonça atendeu a um pedido de Edson Fachin e retirou o sigilo de parte das investigações do caso Master. Mendonça informou que as providências administrativas para a remessa de cópia integral dos autos em HD para a presidência e demais gabinetes estão sendo adotadas.
Apesar da abertura, algumas apurações permanecem sob sigilo. Estão fora da divulgação as investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, as citações ao senador Ciro Nogueira, a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e a fase da Operação Compliance Zero que envolveu a Rioprevidência e o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
A movimentação ocorre em um cenário de tensão interna. O ministro Alexandre de Moraes havia cogitado fazer um pronunciamento nesta quinta-feira (10), mas desistiu após ser convencido por aliados de que a estratégia seria prejudicial. No mesmo dia, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões contra o deputado Mario Frias por suspeitas de uso de recursos públicos no filme Dark Horse, operação autorizada pelo ministro Flávio Dino.
As reuniões presenciais com o presidente do STF também contaram com a participação dos ministros Nunes Marques, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Dias Toffoli.

