A Tapeçaria de Bayeux, monumento pictórico da Alta Idade Média pertencente ao Estado francês, chegou a Londres no dia 9 de julho para exposição no Museu Britânico. A obra, que retrata a Conquista Normanda da Inglaterra em 1066, foi transportada em contêiner de alta tecnologia após autorização do presidente Emmanuel Macron.
O governo britânico contratou um seguro de 800 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 5 bilhões) para a peça. O transporte ocorreu sob sigilo, utilizando equipamento capaz de neutralizar vibrações e manter a temperatura e a umidade constantes. A operação de retirada da obra em Bayeux, na França, durou seis horas.
Com 70 metros de comprimento, o bordado sobre linho narra a vitória de Guilherme, o Conquistador, sobre Haroldo 2º na Batalha de Hastings. A peça é considerada por pesquisadores como uma obra de propaganda da época, justificando a guerra como punição ao rei Haroldo por ter quebrado um juramento sagrado. O texto inclui 58 cenas ilustradas e inscrições em latim.
A França havia recusado pedidos anteriores de empréstimo, inclusive para a coroação de Elizabeth 2ª, em 1953, alegando a fragilidade do artefato. A obra é reconhecida pela Unesco no Registro Memória do Mundo e detalha aspectos do cotidiano medieval, como a construção naval e a aparição do Cometa Halley.
A demanda por ingressos para a primeira fase de visitas, entre setembro e dezembro, causou esperas de até nove horas e tentativas de acesso por 80 mil pessoas simultaneamente. O Museu Britânico projeta que a exposição possa superar o recorde de público da mostra de Tutancâmon, de 1972, que atraiu quase 1,7 milhão de visitantes.
Novas vendas de ingressos ocorrerão em 21 de outubro, para o período de janeiro a março, e em janeiro, para as visitas de abril a julho. Como alternativa, a cidade de Reading expõe uma réplica fiel da obra produzida em 1885.

