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Leitura: Juiz paulista usou identidade falsa por 45 anos
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Senado Federal

Juiz paulista usou identidade falsa por 45 anos

Bruno de Oliveira
Última atualização: 6 de julho de 2025 18:30
Bruno de Oliveira
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Tempo: 2 min.
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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) corrigiu o nome do juiz Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield em seus registros oficiais para José Eduardo Franco dos Reis, sua verdadeira identidade. A decisão, publicada na quarta-feira, 25, no Diário Oficial de Justiça, revela que o magistrado se utilizou de uma identidade falsa por 45 anos, incluindo 22 anos de exercício na magistratura. O caso envolve um processo criminal por uso de documento falso e falsidade ideológica, além de uma apuração disciplinar interna no TJ-SP. A ação penal, no entanto, está suspensa para avaliação psiquiátrica do juiz, que alega Transtorno de Personalidade Esquizoide.

José Eduardo Franco dos Reis, sob a identidade falsa de Edward Wickfield, prestou concurso público e exerceu suas funções como juiz. Fontes ligadas ao caso afirmam que a validade de suas decisões judiciais não é questionada, já que o exercício da função ocorreu de forma regular, independentemente da identidade utilizada. A defesa do magistrado tentou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mas o Ministério Público de São Paulo rejeitou a proposta, argumentando que o transtorno alegado pelo juiz não justifica a manutenção de uma dupla identidade durante décadas, com documentação renovada para ambas as personalidades. O caso levanta questões sobre a verificação de antecedentes em concursos públicos e os limites da responsabilidade em casos de transtornos mentais.

As implicações do caso se estendem para além do âmbito jurídico, questionando a eficácia dos mecanismos de verificação de identidade em processos seletivos para cargos públicos. A decisão do TJ-SP de corrigir o registro oficial, embora não invalide as decisões judiciais proferidas pelo magistrado sob identidade falsa, abre precedentes para discussões sobre responsabilidade profissional e saúde mental. A conclusão da avaliação psiquiátrica e o desfecho do processo criminal serão cruciais para determinar as consequências a longo prazo deste caso incomum, que expõe fragilidades nos sistemas de verificação e controle de identidade.

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