Palestinos residentes em acampamentos improvisados no centro da Faixa de Gaza expressaram nesta terça-feira (30) sua decepção com o plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Deslocado do norte de Gaza, um morador afirmou que a proposta atende exclusivamente aos interesses americanos e israelenses, ressaltando que os palestinos são as vítimas do conflito. O plano divulgado pela Casa Branca propõe um cessar-fogo imediato, a troca de reféns mantidos pelo Hamas por prisioneiros palestinos detidos por Israel, a retirada gradual das tropas israelenses e o desarmamento do Hamas, além da criação de um governo de transição sob supervisão internacional.
Apesar das medidas sugeridas, o documento não esclarece questões cruciais como a possibilidade da criação de um Estado Palestino ou o papel da Autoridade Palestina na governança pós-conflito. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu rejeitou veementemente a ideia de um Estado Palestino futuro e concordou com o plano apresentado por Trump. A proposta também prevê anistia para membros do Hamas que se renderem e exclui a participação do grupo no governo local.
O plano pode ter impacto significativo na dinâmica política e humanitária da região, especialmente diante do histórico recente de violência: cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 reféns capturados por combatentes do Hamas em outubro de 2023, enquanto mais de 66 mil palestinos morreram em retaliações israelenses desde então. A aceitação ou rejeição do acordo pelas partes envolvidas determinará os próximos passos para a paz ou a continuidade do conflito.

