A Câmara dos Deputados decidiu, em uma votação realizada na quarta-feira (10), manter o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), rejeitando a cassação por 227 votos a 170. A cassação era necessária após uma condenação do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada a um caso de invasão do sistema do CNJ, onde a parlamentar foi considerada envolvida. Para que a cassação fosse confirmada, eram necessários 257 votos, o que não foi alcançado na votação desta semana.
A decisão contraria uma recomendação anterior da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que havia apoiado a cassação com o respaldo de deputados do centrão. A votação ocorreu após uma rápida inserção do caso na pauta pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, que inicialmente havia indicado que homologaria a decisão do STF. O contexto da votação reflete a pressão política que a Câmara enfrenta, especialmente considerando que Zambelli está presa na Itália desde julho, o que levanta questões sobre sua capacidade de exercer o mandato.
Essa reviravolta pode ter implicações significativas para as relações entre os poderes no Brasil, com aliados de Zambelli argumentando que a cassação representaria uma submissão do Legislativo ao Judiciário. Críticos, por outro lado, apontam que a prisão da deputada inviabiliza seu exercício parlamentar, levando a um debate mais amplo sobre a autonomia do Congresso. Além disso, outros casos de deputados em situações semelhantes devem ser discutidos ainda neste ano, o que pode intensificar o clima de rivalidade política no país.


