Kanczuk defende juro neutro de 8% para o Brasil, acima do indicado pelo BC

Rodrigo Fonseca
Tempo: 1 min.

Fábio Kanczuk, diretor de macroeconomia do ASA, argumenta que a taxa de juro neutra do Brasil deveria ser de 8%, superando a estimativa de 5% do Banco Central. Ele justifica essa posição afirmando que os atuais impulsos fiscais requerem uma taxa real significativamente mais alta para evitar pressões inflacionárias enquanto se mantém um crescimento econômico equilibrado.

Kanczuk destaca que a política monetária já atua em um território contracionista, mas que o efeito dessa estratégia demorou a se manifestar. A resistência da economia em desacelerar nos últimos três anos, mesmo com taxas de juros elevadas, reforça sua visão de que a taxa neutra é, de fato, elevada. Além disso, ele critica a deterioração da institucionalidade fiscal, que pode gerar desconfiança no mercado.

O especialista antevê que, apesar do cenário fiscal desafiador, cortes na Selic podem ocorrer já em 2026. Ele observa que o Banco Central removeu restrições em sua comunicação, permitindo uma flexibilização na política monetária. Contudo, a trajetória futura dos juros dependerá de dados econômicos, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando e os riscos inflacionários persiste.

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